Projecto


"Olhares Escondidos" é um projecto de matriz social que incide sobre as crianças do Instituto Português de Oncologia, Serviço de Pediatria. Este projecto pretende dar ênfase a valores sociais como igualdade e cooperação e mostrar a importância das actividades de Animação Sociocultural no tratamento destas crianças e no seu processo de socialização. Este projecto realizar-se-á no dia 30 de Maio de 2008, terá lugar no espaço Lions do Instituto Português de Oncologia e é da responsabilidade dos alunos do 3º ano do curso de Animação Sociocultural.

Como o próprio nome indica "Olhares Escondidos" remete-nos para uma realidade sofrida, em que os olhares das crianças se mostram tristes.

"Mais importante que saber qual o tipo de doença que a pessoa sofre, é conhecer essa pessoa que sofre essa doença" (Hipócrates)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A importância da Animação Sociocultural em contexto hospitalar

O tempo em que o hospital era uma instituição fechada pertence ao passado, mas não tão distante. Ainda há quem pense que a criança doente precisa de sossego, pelo que não deve ser incomodada. Esquecem-se de ouvir a opinião das crianças e dos pais. Está comprovado que a promoção de vivências que permitam à criança continuar a poder ser criança enquanto está no hospital vai contribuir para a diminuição dos efeitos do internamento, proporcionar uma melhor qualidade de vida e tornar o olhar sobre a criança no hospital mais humanizado.
Um hospital é uma instituição com inúmeras capacidades, com recursos humanos dotados de um potencial de criatividade que importa dinamizar para melhorar a vida da criança, tendo presente os direitos consignados na Carta da Criança Hospitalizada (EACH, 1988). Contribuir para o cumprimento das recomendações da Carta da Criança Hospitalizada é garantir o direito de Ser Criança mesmo quando está doente.
Para a criança, a permanência num hospital é uma experiência traumatizante, é uma ruptura com os seus hábitos e com o seu mundo habitual: a família, a escola e os amigos.
A hospitalização pode gerar sofrimento e angústias que a fragilizam e até pode dificultar o seu processo de tratamento. Os sentimentos de solidão de ruptura com a vida exterior, o medo da dor, a perda da independência e da autonomia, são elementos que podem tornar a vida no hospital triste e tensa.
Uma das formas de os minimizar é tornar o meio hospitalar mais amigável, é levar vida e proporcionar experiências diferentes à criança e à família que tornem a sua estadia menos dolorosa, é contribuir para um ambiente mais humanizado. Hoje, estão disponíveis diversos meios que podem amenizar a estadia da criança no hospital, como por exemplo: o apoio educacional, a visita dos amigos, a criação de momentos de quebra de rotina da vida diária com a introdução de vivências em que a criança possa esquecer o local onde está, e viver momentos de profundo bem -estar e satisfação. Isto quer dizer que os serviços devem estar centralizados na criança e nas suas necessidades. Brincar é uma actividade fundamental ao seu desenvolvimento mesmo quando doente, para além disso é um direito.
Como temos conhecimento, tem-se assistido nos últimos anos a um interesse crescente por parte da sociedade em intervir nestes locais, isto corresponde a uma maior consciencialização dos direitos das crianças e do seu papel.
A Animação Sociocultural nestes locais é muito importante, pois é necessário que existam intervenções programadas da responsabilidade de profissionais preparados para o meio hospitalar, que aprenderam o que é um hospital, o respeito pela criança e pela família, que sabem estar com os profissionais de saúde, que dialogam com eles com o intuito de contribuir para o bem - estar da criança e que principalmente têm vontade de aprender com os outros profissionais para que exista um trabalho de equipa e uma troca de saberes. Esta intervenção é sentida pela criança e família, e também pelos outros profissionais que, muitas vezes usufruem de momentos lúdicos, de paragem na sua actividade, que é frequentemente geradora de grande tensão. É necessário existir por parte dos serviços uma organização para que estas iniciativas possam ser conjugadas, articuladas e integradas na vida hospitalar, constituinda uma mais valia no apoio às crianças e às suas famílias.
Isto requer profissionais nas respectivas áreas da cultura e/ou Animação e não pessoas de boa vontade que gostem de animar crianças. É necessário garantir a continuidade e o profissionalismo.
"... Pôs-me numa rocha na maré vazia e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim. O polvo arruma a casa, alisa a areia, vai buscar a comida... Mas o costureiro dos meus vestidos é o caranguejo... O peixe não faz nada porque não tem mãos, nem braços com tenazes como o caranguejo. Só tem barbatanas e as barbatanas só servem para nadar. Mas é o meu melhor amigo. Como não tem braços nunca me põe de castigo. É com ele que eu brinco. Quando a maré está vazia brincamos nas rochas, quando está alta damos passeios no fundo do mar..."
(Andersen, Sofhia de Mello Breyner)
O pequeno excerto acima transcrito evoca-nos, por mão de mestre da literatura infantil, as múltiplas áreas a que é necessário atender para a promoção adequada do crescimento e desenvolvimento da criança.